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Webdoc mostra como inovação tecnológica aumentou as coberturas vacinais em São José (SC)
Por Ascom CONASEMS
23/02/2026 09h00
No município de São José, localizado na região litorânea de Santa Catarina e vizinho à capital Florianópolis, a imunização de crianças e adolescentes ganhou um aliado tecnológico estratégico. Após a criação do projeto “QR Code Vacinar”, foi possível desburocratizar o acesso a documentos obrigatórios e elevar os índices de vacinação de forma ágil, integrando as secretarias de Saúde e Educação em um cuidado compartilhado.
No período pós-pandemia da Covid-19, a realidade encontrada em São José era de uma queda preocupante nos níveis de vacinação. Em 2023, o município identificou a necessidade de inovar para recuperar a credibilidade das vacinas e atrair a população de volta às salas de imunização. Até então, o processo era marcado por longas filas: para garantir a matrícula escolar, as famílias precisavam ir presencialmente às Unidades Básicas de Saúde (UBS) apenas para conferir a caderneta e retirar uma declaração de vacinação em dia.
Esse fluxo gera uma sobrecarga imensa no sistema. Os pais enfrentam filas e os vacinadores perdiam tempo com conferências burocráticas, mesmo de crianças que já estavam com o esquema vacinal completo. Além do impacto logístico, alguns imunizantes apresentavam coberturas críticas, variando entre 70% e 90%abaixo do recomendado para a segurança coletiva.
Diante desse cenário, uma equipe interdisciplinar uniu as frentes de Saúde e Educação para criar uma estratégia gratuita, rápida e acessível. O foco foi levar o serviço onde o público-alvo estava: na escola
A principal mudança foi a implementação do QR Code Vacinar. Através dele, as famílias deixaram de ir obrigatoriamente à unidade de saúde para fins burocráticos. Agora, o acesso ao formulário é digital. A Vigilância Epidemiológica (VIEP) analisa os dados remotamente e, caso a vacinação esteja em dia, a declaração é enviada por WhatsApp ou e-mail, sendo impressa pela própria escola para anexar à matrícula.
“Criamos uma forma de as famílias não precisarem ir até a unidade apenas para retirar um papel; elas acessam o QR Code e só se deslocam ao posto se houver realmente a necessidade de aplicar a vacina”, explica Daniele Moreira, coordenadora do programa
Essa descentralização permitiu que as unidades de saúde ficassem no ato da vacinação em si, eliminando filas de espera apenas para conferência de documentos. Quando um atraso é identificado, a equipe entra em contato direto com os responsáveis, orientando o comparecimento à UBS para a regularização.
O impacto da estratégia foi imediato, especialmente nos meses de rematrícula (outubro a fevereiro). O controle da situação vacinal tornou-se muito mais veloz para os educadores e para as equipes de saúde. Os números refletem o sucesso da iniciativa: em faixas etárias específicas que antes sofriam com a baixa adesão, o município conseguiu superar a marca de 100% de cobertura vacinal.
Para os gestores locais, o projeto não é apenas uma facilidade tecnológica, mas uma ferramenta de proteção social. “Além de ampliar nossos dados de imunização, a estratégia criou um elo entre saúde e educação. Isso nos traz proteção coletiva, garantindo uma população saudável e a chamada 'imunidade de rebanho' para todos os munícipes”, destaca Daniele Moreira .
A experiência de São José é um exemplo de iniciativa exitosa que fortalece o Sistema Único de Saúde, demonstrando que a tecnologia, quando bem aplicada à gestão pública, salva vidas e otimiza recursos.
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